C

melancolicament-e:

estou
sempre
a
um
passo
do precipício,
da desistência

Lucidez Nas Relações

dramaturas:

“Saber como nos posicionar internamente pra que qualidades naturais brotem, sem a gente precisar entrar em acordo.
Sem eu te dizer assim “Você vai me amar por 20, 30, 40, 50 anos?”. Certamente a pessoa vai te amar pra sempre.
Mas talvez não da forma como a gente gostaria, não do esquema em que a gente gostaria. As coisas vão mudando, as faces do amor podem mudar.
Mas a gente não sabe, a gente não sabe se relacionar com a realidade nessa perspectiva, né? Da liberdade.
Isso é convite pra ser adulto, então […].
Nós não vamos mais controlar a vida pra nós sermos felizes. Precisamos nos responsabilizar pela nossa felicidade de forma autônoma, nos conhecendo.
E como seres maduros, adultos, a gente vai dar liberdade pras pessoas serem o que elas são, o que elas podem ser.
Isso é amor.”

Lucidez nas relações | Márcia Baja

Referência também a Preta de Quebrada, Flora Matos.

rosesandjuliet:

canta aquela do Cícero pra mim, me fala do céu que te abraça em dias ruins, deita sua pele na minha

e chora  

yuhoshi:

me disseram que estou doente, de inicio achei patético essas palavras. doente? piada. se olhasse em meus olhos por alguns minutos veria desespero e cansaço, então talvez essa seja uma definição melhor. estou cansada do mundo e desesperada pela minha vida.

eu desisto quando deito a cabeça em meu travesseiro e tento mais uma vez quando observo outras pessoas vivendo. talvez esse ciclo tenha me tornado de fato nociva, mas então estaríamos todos a beira do precipício?

yume

zumbisrussos:

teve essa pessoa que disse que eu não era bonita

ela disse

“já que você é feia então você precisa ser engraçada”

podia ter sido uma coisa que eu ouvi aos catorze anos mas aconteceu essa noite

e eu fiquei pensando no que eu precisava ser

porque a questão não é se eu sou

bonita ou não

acho que nunca foi sobre quem é

bonito ou não

mas sobre o que eu preciso ser

sobre o que eu acredito que

preciso ser

foi sob essa violência que eu vivi minha adolescência inteira, sabe?

hoje eu sei o que eu preciso

eu não preciso me achar bonita

ou ser engraçada

ou até gostar do que vejo no espelho

eu preciso me sentir confortável

caber e saber que sou lar dos meus medos e sonhos

e que vai me doer ouvir certascoisas

mas me doeria mais

ceder a elas

anwaranwaranwar:

Chuck Berry - Maybellene

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dramaturas:

se a mais pequena criatura é digna de amor
por que eu me sinto constantemente incapaz de ser amada?

zumbisrussos:

eu tenho defeitos eu tenho pequenos erros escondidos entre as frestas da ideia e você sabe: um dia eles vão ter dentes tão fortes que serão capazes de ferir
eu não sou boa
e eu me mantenho intacta apesar dos golpes
(seja o da direita ou o do meu ex) e eu não uso vírgulas porque se você para pra respirar então não parece comigo: eu não paro
eu preciso te falar de quão desesperador é às vezes estar na minha cabeça mas você precisa me dizer que também é na sua porque nem sempre eu vou te enxergar e nas vezes que não
me lembre que eu estou sendo egoísta demais
eu me critico mas em outras eu só me aceito por preguiça falta de tempo ou orgulho e sigo como quem não quer nada esperando o próximo buraco pra perceber que
eu poderia ter sido melhor e não fui
eu tenho cuidado mas eu ainda tenho muito pouco cuidado
eu me esforço muito mas ainda não o suficiente
sou humana mas eu aceito se isso faz de mim uma filha da puta
a gente precisa que alguém vire o espelho de vez em quando
existe um monstro no peito
e eu não o mato senão morro
eu o treino

velhocaos:

dentro de mim
algo sempre parte,
algo sempre morre.

heavensghost:

image

zumbisrussos:

marina sena dizendo que toda pressa é inimiga do cuidado pra me lembrar que não devo colocar os passos na frente das pernas ainda que não faça sentido tudo isso
quer dizer
eu preciso do quê de você?

é fácil a gente acreditar porque tá carente e trancado em casa há um ano então as ruas voltam a driblar o medo e caras medianos parecem melhores só porque faz tempo que a gente não tem fé no amor, mas eu nunca deixei de ter. nunca. eu só entrei de férias

não foi na terapia nem num filme três estrelas que eu descobri que tô nessa pra viver e entregar vida.
sim
dito desse jeito

e aí sair não mais forte nem mais sábio e sim real, entende?
eu quero ser a mais pura verdade no mundo
e eu não quero mundos felizes e limpos
poxa eu sei como são as coisas fora do texto
pessoas más e relações que matam
eu sei

e eu não quero correr também. eu não acho que viver tem a ver com correr embora toda minha alegoria jovem peça e peque pela adrenalina de uma maratona de emoções
eu não acho que estar vivo seja de verdade correr quilômetros

acho que viver é só ir, amor
[e ainda que cê não seja nada nada nada do que eu preciso
eu quero
e adoraria que viesse comigo]

zumbisrussos:

dois comprimidos de dipirona coca cola salgadinhos muito quentes pra queimar a língua e sorrir

prazeres diagnosticáveis
te mando uma mensagem que diz: quero me apaixonar
você responde: quem escolhe de bom grado o inferno?

os demônios que eu carrego dentro
gosto do calor só não tenho pele pra isso
eles têm dentes e garras e sede
eu te digo que quero amar mais uma vez

todo meu corpo remexe
e meus pecados se atiçam
eles estão loucos pra voltar pra casa

zumbisrussos:

quando um corpo negro morrer, quando mais um corpo negro morrer, você vai lembrar de todas as outras mortes que o antecederam. você vai citar números e pesquisas e qualquer coisa pra dizer o quanto a gente não se importou antes

mas você também não. e pior: você está dizendo agora que esse corpo negro não importa. que não é preciso que choremos que gritemos que sintamos dor e medo porque esse é só mais um corpo negro
e os 184 policiais e as crianças e todos os outros

você não se comove
nem com os policiais nem com as crianças nem com os próximos corpos negros que comumente morrem como se fossem nada.

um dia a minha mãe me disse que a única proteção que eu poderia ter era trabalhar com toda força pra que meu dinheiro me protegesse. pra que diante do meu dinheiro do meu poder da minha relevância num ambiente doentio de trabalho eu fosse tão tolerada que as pessoas não veriam que eu era um corpo negro e então assim eu me manteria a salvo
mas veja bem
ela me disse ontem
não importa mais o lugar que ocupamos o espaço que conquistamos na marra
você ainda é a porra de um corpo negro
eles te aceitam enquanto não te matam
eles te engolem enquanto não te caçam
eles sorriem enquanto não te culpam
eles te amam enquanto não te traem

“você pode me balear com suas palavras.
você pode me cortar com seus olhos.
você pode me matar com o seu ódio.
mas ainda sim, como ar, eu retornarei”*

corpos negros, presente.



* trecho do poema ‘Still I rise’ de Maya Angelou)

(Marielle morreu porque é muito fácil culpar um corpo negro da própria sorte. é muito fácil transformar um favelado no executor do próprio fim. é muito fácil torná-la um monstro ao invés de mártir. eles nos fazem alvo e arma. alvo e arma. você não sabe se não vive)